Esta escultura proveniente da Igreja da Portela, da Freguesia de São Cipriano, em Viseu, representa Cristo Ressuscitado, o Deus tangível que se fez homem para redenção da humanidade. A Páscoa, a mais importante e antiga festa cristã, celebra também Jesus retornado à vida três dias depois da sua morte por crucificação. Por isso, esta obra que assinala a produção das oficinas de Coimbra no século XV, mostra-o de corpo sinuoso animado de um movimento ondulatório que nos dá a ilusão de uma deslocação ascensional.

A Europa do século XIII e XIV reflete uma sensível devoção a Cristo dos evangelhos, configurada num humanismo e individualismo prosperante que propicia à obra uma específica atenção para com o tratamento plástico da forma: também a barba, o cabelo desenhado por linhas onduladas, o corpo envolto num manto levantado à frente em que as pontas descaem em pregas fundas, vendo-se o peito nu e ferido, bem como os pés estigmatizados conquistam a expressão humanista e o realismo que se viria a impor.

Embora de policromia impercetível, este período manifestou um extraordinário gosto pela cor e pela luz, que as destruições provocadas pelo passar do tempo não deixam apreciar.